Nessa onda “Brasil: Mostra tua cara!”, resolvi dividir alguns dos probleminhas que enfrentamos dia-a-dia nessa terra fria e gelada e mostrar pra você leitor (oi mãe, pai, tia!), que nem só de flores vivem esses dois brasileiros em solo milanês.
Primeiro a saudade do cão! Bate saudade do Homer, saudade da famÃlia, dos amigos, da casa, da rotina que não existe mais, dos livros que ficaram no Brasil, da máquina de costura, de sair na rua e ouvir as pessoas falando português, do sol (nunca pensei que ia sentir saudades do sol, mas mesmo inconscientemente, mesmo que eu tente não admitir, ele faz falta aqui!), da carne, das frutas frescas e baratas, do almoço no central com aquele cafézinho depois, de pegar o carro e resolver num instantinho qualquer distância nas redondezas do vale do sol.
Tem também as dificuldades de cunho profissional: Não tenho emprego nem a menor perspectiva de conseguir um. Primeiro porque, admito, estou com receio de conseguir algo que me desalente ainda mais, eu desanime de chegar em casa e desenhar sem parar até a hora de dormir (o que está sendo bem importante pra entrar no ritmo do curso e no nÃvel do pessoal) e não aproveite o principal objetivo dessa empreitada. Depois porque é meio sem sentido eu estar aqui, com a oportunidade de conseguir algo na minha área e ganhar experiência e NÃO CONSEGUIR! O grande problema é que ainda me sinto extremamente insegura com relação ao idioma e principalmente porque, como estou mudando drasticamente de área, me sinto ainda mais insegura com relação a minha nova profissão. E a insegurança nos deixa minúsculo, frágil, fraco, sem coragem, pequeno e Ãnfimo. Assim estou.
Tem ainda as pequenas dificuldades da vida cotidiana: O chuveiro é um pavor! Pra piorar, temos uma meia-banheira com dois nÃveis, sendo que pra tomar banho em pé, temos que ficar no degrau inferior da meia-banheira, que deve medir 20 cm². Francamente, meia-banheira? (Isso é como adotar a jarra com água da tia Isolde pra se refrescar numa casa com 2 cômodos, onde a pia do banheiro fica a meio metro de qualquer lugar). A cozinha é do tamanho da caixinha de areia do Homer, sem mais comentários. A mesa da sala é muito baixa pra desenhar, eu me debruço no desenho e “sporco” tudo com meus dedões compridos! Ah, fechei a porta do armário de sapatos e a minha mão afundou naquilo de que é feito o armário e eu não sei identificar. Além disso, quando passo o pano em algum lugar da parede, a tinta sai, simplesmente sai.
Os afazeres domésticos são outro problema, a máquina de lavar roupa não é automática e moderna, é velha e não vai com a nossa cara. A cada mudança de ciclo, tem que ir lá girar o botão… tenha dó! O varal é no meio da casa, porque o varal mesmo virou suporte pra cortina da meia-banheira, que por sua vez, é presa com uma cordinha, num verdadeiro estilo moderno e descolado! Faça sua imagem mental desta linda descrição.
Ah, posso continuar esse post a exaustão! Mas mãe, pai, tá tudo bem ainda e, na pior das hipóteses, vamos voltar “safos” no quesito “cordinha-na-cortina-do-banheiro”, “tomar banho em meia-banheira” e “vender o almoço pra comprar o jantar”.